POLÍTICA DO NÚCLEO

Este espaço foi criado e autorizado pela Sociedade de Veteranos de 1932, sede em São Paulo ( veja em Matérias Públicadas seu estatuto). Como um núcleo de pesquisas tem por objetivo investigar e trazer à memória de toda a sociedade sãopedrense a história da Revolução Constitucionalista de 1932, seus objetivos e os resultados. Por São Pedro 36 foram alistados, sendo 27 natos, inclusive meu pai.Dentre os enviados um faleceu em combate ao socorrer um amigo baleado e por esse ato de bravura é o expoente deste grupo de heróis: José Augusto Frota Escobar. Cerca de 16 colaboradores locais na retaguarda também estiveram ligados ao movimento. Todos devem ser devidamente honrados meste espaço, a partir das suas biografias que devem ser preparadas por suas famílias . São heróis sao-pedrenses. Insistimos que haja rigor com a verdade dos fatos, devendo ser relatados aqueles que tenham alguma possibilidade de serem comprovados por relato próprio em diário, carta, correios de guerra, livros e provas documentais. Evite relatar fatos não comprováveis, para não entrar em choque com o relato das biografias dos demais combatentes e colocar o relato em risco. A responsabilidade das informações será plenamente atribuída ao seu autor cujo nome deverá acompanhar a publicação neste espaço.

Contato:

João Francisco de Aguiar
Presidente
-e-mail: jfaguiar@uol.com.br








terça-feira, 14 de agosto de 2012

SEBASTIÃO DE AZEVEDO AGUIAR ( "ZITO") EM 1932



           
Biografia de Sebastião de Azevedo Aguiar "Zito"
(autoria de seu  filho,  Joao Francisco de Aguiar).
       
Nascido em 08/11/1903 em São Pedro - SP, filho de Francisco Mendez de Aguiar e Maria Augusta de Aparecida Aguiar, fez o curso primário no Grupo Escolar Gustavo Teixeira e posteriormente a Escola de Contabilidade em Piracicaba. Casou-se com Maria Apparecida Gravena de Aguiar ( professora do curso primário ), “Cida Gravena”, “Artista da Terra de São Pedro”, pintora da natureza, e teve três filhos João Francisco de Aguiar ( economista e professor universitário), Enio Sebastião de Azevedo Aguiar ( Engenheiro civil e empresário) e Viviani Aparecida de Aguiar, bacharel em pedagogia e artes plásticas, professora e funcionária pública da Prefeitura de São Bernardo do Campo – SP. Alistou-se em 1924 como voluntário no Grupo de Piracicaba para servir ao chamado por uma nova constituição em 1932 e foi enviado com outros piracicabanos à batalha. Segundo relato pessoal conforme carta de seu punho publicado nesta página entrou em combate em 18/07/1932 na Fazenda Palmeiras, em Areias - SP. Para efeito da Comissão do artigo 30 das disposições transitórias do Estado de São Paulo e nos termos do artigo 12 letra da lei 211 de 07/12/1948 houve reconhecimento da sua participação no movimento constituinte, processo numero 13269 em 14/05/1951. Ver fotos a seguir mostrando seu envolvimento ativo na REvolução de 1932: a primeira foto foi tirada por ocasião do seu alistamento em 1932.

 Zito Aguiar tinha orgulho e sentia-se muito honrado pela decisao tomada

                                       Sebastião de Azevedo Aguiar (Zito Aguiar) pronto para
                                                           integrar o Batalhão de Piracicaba


                                                                                                                                              
                                      Sebastião de Azevedo Aguiar, esquerda, com seu inseparável
                                       amigo "Joaquim Norberto,  "Quinzinho" Norberto.
 "Zito Aguiar", na fila de baixo, segundo à direita, em posição de descanso, mas em
estado de alerta, com seus amigos voluntários do Batalhão de Piracicaba e São Pedro.




Carta de punho de Zito Aguiar guardada pelo seu amigo "Quinzinho Norberto"
Esta carta prova que Zito Aguiar entrou em combate em 17/09/1932

Recebe a Medalha da Constituição pela participação na Revolução de 32


Zito Aguiar escreve cartas para sua mãe Maria Augusta de Aguiar em Sao Pedro



"Zito Aguiar" : valente mas dócil à sua mãe  mãe Maria Augusta de Aguiar
Medalha de Honra ganha pela participação na Revolução de 1932




Zito Aguiar na Revolução de 1932
( objetos já doados ao Museu de São Pedro mas ainda em poder do seu filho JFA )

Participação reconhecida pelo Governo do Estado de SPaulo


Retornando a Piracicaba foi admitido na secretaria do Engenho Central onde trabalhou de  1932 a 1937. Uuma vez concluido o curso de técnico em contabilidade foi admitido na Prefeitura Municipal de são Pedro como tesoureiro, ocupando a vaga deixada por Gustavo Texeiram insigne poeta da terra de São Pedro.  Por sua fidelidade reconhecida foi convidado a ocupar brevemente o cargo de Prefeito Municipal por curto período em 1947. No cargo de tesoureiro permaneceu até 1968 quando aposentou-se. Faleceu em 12/06/1972.

Recebeu a Medalha da Constituição nos termos da resolução 330 de 25/06/1962, documento assinado pelo presidente da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, datado de 07/09/1964. Um dos documentos da época relativamente ao  Artigo 30 e o Batalhão piracicabano menciona AGUIAR, SEBASTIÃO DE AZEVEDO Numero 46,- LFicha 1169 prot 7068 e 7777.

Foi um homem temente a Deus, católico, frequentador assíduo da igreja local. De caráter firme, íntegro, reto e compromissado com os melhores  valores e seus superiores, dando um exemplo de vida para todos os seus. Não hesitava em cortar amizades para preservar sua honra e caráter. Tesoureiro da Prefeitura Municipal por mais de 25 anos sem uma só acusação dos inimigos políticos. Sua honestidade e retidão eram  qualidades de todos reconhecida. Esta qualidade foi reconhecida pelo prefeito Lázaro Capelari (“Lazinho”) em seu livro “O Último Coronel”, página 20 (1). A seguir passagens curiosas a respeito do meu pai que bem exemplificam as nobres qualidades do seu caráter. Passagem 1: conta “Lazinho” que certa vez o Delegado em exercício da cidade queria prende-lo, sem motivo justo. No dia marcado Zito Aguiar chega à prefeitura e percebe os portões fechados, como era um dia útil estranhou, mas logo soube do ocorrido e, juntamente com outros funcionários e em grupo foram conversar com o prefeito “Lazinho”. Ao saber da ameaça Zito Aguiar tomou a frente, nas palavras do escritor, e disse em alto e bom som “Prefeito, pedindo desculpas ao Senhor, queremos cientificá-lo de que haverá expediente sim, só sairemos daqui juntos com o Senhor, seja para onde for”.Foram grandes amigos. Passagem 2: anos depois e mais recentemente uma vez buscando um exemplar do livro fui à atual casa da viúva do Sr. Prefeito, D. Amália (95 anos, faleceu recentemente). Alegre e grata ela me dizia: " Joao Francisco, seu pai foi um homem respeitoso, um dia o meu marido contou-me que na época disse ao seu pai, qdo jovens, que estava simpatizando-se comigo. Relatou-me anos depois que Zito Aguiar imediatamente interveio "Olhe Lazinho, essa mulher é digna de tdo respeito". Esse era Zito Aguiar dizia-me D. amália, 95 anos, já acamada, faleceu pouco depois.Uma mulher com M maiusculo. Passagem 3: contava minha máe (falecida em 2010) que meu pai já era funcionário da prefeitura municipal e homem de alta confiança do prefeito local. Certa vez adentrou em nossa residência um homem que se dizia amigo do meu pai. Sempre bem recebido, como de costume, este homem  relatava seu problema. dizia ele: " Sabe Zito minha filha acabou de passar no concurso público em Sao Pedro, para professora, mas sua colocação, acima do 10 lugar, destinou-a ao alto da Serra de São Pedro, como ela está grávida estamos muito preocupados; meu pai cumprimentou-o pela filha mas recebeu a seguinte proposta. Sabe Zito, dizia ele, ouvi dizer que voce tem a lista dos classificados, a voce conferida pelo prefeito em confiança, ainda nao anunciada, como eu tenho uma leitoa cevada e no ponto, queria muito da-la a voce, se voce fizesse um favorzinho, apenas trocasse o nome dela colocando-a abaixo da 10 posição, assim ela assumiria o lugar em São Pedro dando-nos tranquilidade quanto à gravidez. Meu pai, ao tomar ciência da proposta indecorosa não titubeou: "Voce acha que eu me vendo por leitoa e por dinheiro ? Saia já daqui seu safado e soltou alguns palavrões". Rompeu amizade de pronto.Já com uns 40 anos negociava a venda de títulos em um banco, haviam sobrado uns US$ 200.000 no final do ano; o parceiro veio com voz arrastada me propor " Aguiar, vamos deixar essa grana para asss casstanhass...imediatamente veio a leitoa cevada à minha memória e quase mandei o sujeito engulir o telefone.Voce vai dar tudo até o último centavo para os japoneses eu berrei na linha ( trabalhei em um banco japones por 11 anos). Passagem 4: Estava eu com uns 10 anos de idade, sentado com  meu pai no onibus da viação piracicabana, que fazia o trajeto São Pedro-Piracicaba. Nem bem o Ónibus partiu meu pai notou dois bancos à frente que um moço não parava de irritar uma moça com quem estava sentado. Ela visivelmente chateada resistia. Na saída de São Pedro onde hoje fica o portal, meu pai irritado foi a frente, dirigiu-se ao motorista, seu conhecido e falou "Oi fulano, pare o onibus, alguem vai  descer". O motorista meio confuso obedeceu. Meu pai dirigiu-se ao rapaz , olhar incisivo, e falou: " Voce vai descer aqui". O rapaz borrado de medo começou a levanar-se, a moça quis ajuda-lo. Meu pai falou: não não, está tudo bem, ele fica aqui e agora o problema é comigo. Ao descer do onibus meu pai disse ao motorista: feche a porta e siga viagem. E fomos tranquilos ao nosso destino...Esse nunca mais vai esquecer esta experiência e quem sabe um dia possa até dizer aos seus descendentes que o próximo merece respeito sempre.  Passagem 5: Meu pai tinha o hábito de referir-se a certos intelectuais com maus modos : " esse é um burrão !!!". Nunca podia compreender porque alguém com curso universitário poderia ser um burrão..Anos mais tarde entendi perfeitamente, meu pai queria dizer que tal sujeito, embora graduado e especializado na sua profissão  era mau educado e não tinha valores adequados. Passagem 6: Relatou-me outro dia  um sobrinho seu, hoje com mais de 80 anos, que havia em São Pedro uma moça linda, desejada por todos os homens e ela tinha simpatia pelo meu pai; um dia meu pai chegou-se a ela e disse-lhe: fulana, gosto de voce mas voce não é para mim, voce é rica, eu sou de familia com posses limitadas, nunca poderia dar-lhe o nível de vida que voce merece ter...Passagem 7: Há uns 3 anos atrás estive visitando um primo primeiro meu o advogado Dirceu Aguiar ( filho de Epaminondas Aguiar, uns 20 anos a mais que eu), que me contou uma experiencia sobre meu pai na trincheira. Dizia o meu primo Dirceu Aguiar: " Seu pai na trincheira me disse que quase sempre tinha a prática de levantar-se um pouco, colocar a sua mão sobre a borda e atirar e costumava dizer "toma café quente seu legalista derrotado...". Passagem 8:  Meu pai amava a sua família e irmãos. Certa vez nós já tinhamos uma residência mas seus irmãos não. Na distribuição da herança do meu avô, meu pai, sentindo que estava em situação mais confortável que seus irmãos, sem residência, não titubeou e disse : " Eu abro mão pelos meus irmãos" e abriu mão de participar da partilha de uma ou duas residências. Durante muito tempo não entendi a sua atitude, mas hoje, com 61 anos, vejo que ele agiu corretamente, como sempre, colocando sua familia de origem em honra. Ele preferia ter veículos velhos ( tivemos vários) a ver os irmãos sem digna situação, nós já tínhmos a nossa casa própria, financiada por ser miha mae professora concursada.  Passagem 9: Em casa tinhamos de tudo,  mas com parcimonia, sem esbanjar. às vezes eu lhe pedia algum dinheiro, ele dizia que só no final do mes. Um dia cheguei a lhe dizer: mas pai, voce toma conta do dinheiro não ? Ele me dizia com paciência: "estou em um rio e não posso beber água", referindo-se ao caixa intocável da prefeitura municipal !!! Esse era meu pai. Cada vez que releio essas notas lágrimas brotam dos meus olhos...Que caráter ele tinha !!! Por tudo isso é que decidi colaborar com a causa de 1932, causa que para ele era de grande honra, é o mínimo que posso fazer para ser digno de ter sido seu filho. "Zito Aguiar", meu herói !!!              
(1)Fonte: Editora Degaspari: Piracicaba, 2002. Http://www.graficadegaspari.com.br.


  

2 comentários:

  1. É com grande honra que presto essa humilde homenagem ao meu pai "sebastião de Azevedo Aguiar" nesta página. É um privilégio ter sido seu filho e ter convivido com ele, embora pouco, apenas uns 22 anos. Pude aprender valores como temor a Deus, honra, fidelidade,amizade sincera, repúdio aos corruptos e maus intencionados, zelo pelo dinheiro e pela coisa alheia, fidelidade à esposa e família. Sinto não ter podido desfrutar mais ainda do seu convívio. João Francisco de Aguiar

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  2. que saudades daqueles tempos antigos

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